domingo, 26 de junho de 2011

Mar Português

Nunca gostei muito de poesias, mas essa de Fernando Pessoa:

Mar Português

“ Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.” 


Crônica da semana

Tivemos uma prova de redação em que tínhamos que fazer uma crônica com o tema vestibular. Coloquei a de uma amiga. 

LINHA DO EQUADOR
     “Outro dia estava fazendo uma prova de redação em minha escola e me deparei com uma crônica de um tal de Rubem Alves. Dizia que nos ensinavam inutilidades que depois esqueceríamos. Eu, estudante do ensino médio, não via daquele jeito. Precisava de todas aquelas inutilidades para decidir qual inutilidade eu gostaria de seguir para torná-la útil à minha vida, se é que isso faz algum sentido. Além disso, como esqueceríamos tudo depois? Três anos de estudos, achei improvável.
     Chegou o dia da tão comentada prova, terror dos estudantes. Estava tranquila, afinal, passei três anos estudando. Me entregaram a prova. De repentes, a realidade me atingiu. Estava diante das folhas que mudariam minha vida. Cada bolinha preenchida significaria um passo à frente ou um grande retrocesso. Entrei em pânico. Átomos agora realizavam mitose e o Rio Nilo era o maior do mundo. Robespierre virou um mártir da luta pela libertação das Américas e Castro Alves escrevera a Canção do Exílio. Fórmulas? Que fórmulas? Advérbios? Oração subordinada substantiva...objetiva direta? Branco total.
     Percebi que não era o sistema de ensino que estava errado, apenas a maneira de concretizá-lo na entrada das universidades. O vestibular valoriza indivíduos frios e calculistas, que não se rendem ao nervosismo de situações que mudarão suas vidas. E àqueles que se dedicam aos estudos das inutilidades e entendem o peso dessas folhas de papel, resta seguir esse modelo.
     Quanto ao esquecimento humano, acabei por comprová-lo outro dia. Estava sentada à mesa com meus pais. Meu pai comentou que iria fazer uma viagem a Macapá, capital do Amapá. Estava animado com a possibilidade de cruzar a Linha do Equador a pé. Minha mãe, arquiteta, incrivelmente inteligente em sua área, doutora em sustentabilidade pela UnB, diante de tal entusiasmo, respondeu-lhe:
     – Mas a linha do Equador...não estaria no Equador?
     É, acho que o tal Rubem Alves estava certo, afinal.”
Uma amiga





sexta-feira, 17 de junho de 2011

Crônica da semana


Fiquei de botar uma crônica terça, mas não tive tempo, vou botar hoje então:


Exigências da vida moderna

 “Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.
E uma banana pelo potássio.
E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água.
E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também.
Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra.
Muita, muitíssima fibra.
Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.
Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.
E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma.
Sobram três, desde que você não pegue trânsito.
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia.
Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo.
Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.
Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução.
Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação.
Na minha conta são 29 horas por dia.
A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!!!
Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes. Chame os amigos e seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã (...).
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésia.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.
E já que vou, levo um jornal…
Tcháu….
Se sobrar um tempinho, me manda um e-mail.”
Luis Fernando Veríssimo


segunda-feira, 13 de junho de 2011

De início:



Postarei aqui meus amores: meus desenhos e crônicas. Pretendo pelo menos colocar uma crônica por semana (às terças, porque, agora, me parece um dia bom), quanto aos desenhos não prometo. A verdade é que esse blog não tem objetivo definido (se é que tem objetivo algum), vinha dando uma vontade de fazer um blog. Fiz. Vou, com o tempo, ver aonde esse projeto ainda vai dar.