segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Sobre avós

     Isso pode parecer insensível e rude, mas é sincero. Nunca entendi porque as pessoas ficam tão mal quando os avós morrem. Minhas avós morreram quando eu era pequena. Eram a Zilda e a Elza.
     Quando lembro da Zilda lembro dela na cozinha, sempre. Dizem que ela cozinhava muito bem – dom que foi passado aos filhos.  Lembrar dela faz-me lembrar de um biscoito que tinha em sua casa. Lembro do pote, da trava e do lugar onde ele ficava. Posso quase lembrar seu sabor – nostalgia.
     Quando lembro da Elza, lembro de seus cabelos vermelhos, curtos e crespos. Lembro dela comigo no parquinho da quadra em que morava. Até consigo lembrar dela comigo nos brinquedos, mas a lembrança mais forte é dela me ajudando a procurar sementes na calçada ao lado do parque. Uma semente específica, vermelha e oval, muito bonita, na verdade. Lembro também de sua limonada, tão comentada na família – forte, doce e ótima. Só não lembro que fim aquele tanto de semente levava.
     Quando penso nelas, vem uma saudade gostosa e confortável – saudade que, quase sempre, teima em sair pelos olhos. Enquanto escrevo e lembro delas percebo, não sem surpresa, que, mesmo após tanto tempo, ainda as amo. Acho, então, que elas não eram Zilda e Elza, elas são Zilda e Elza.
     Talvez agora, após escrever, entenda porque as pessoas sofrem tanto quando perdem os avós.

“Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você”

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sobre W. Shakespeare



Sou apaixonada por certas coisas – aos poucos revelarei algumas – e uma das coisas é Shakespeare. Em homenagem ponho, então, um pedaço que acho lindo de Romeu e Julieta (“Romeo and Juliet”):
ROMEO 
Lady, by yonder blessed moon I swear 
That tips with silver all these fruit-tree tops—
JULIET 
O, swear not by the moon, the inconstant moon, 
That monthly changes in her circled orb, 
Lest that thy love prove likewise variable.
ROMEO 
What shall I swear by?
JULIET 
Do not swear at all; 
Or, if thou wilt, swear by thy gracious self, 
Which is the god of my idolatry, 
And I'll believe thee.

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E não vejo a hora de arranjar tempo para começar a ler 1589 – um ano a vida de Shakespeare.
Por último, dica para outros amantes de William S. : vejam Shakespeare apaixonado.(Curiosidade: para quem não sabia, a Julieta do filme é a mulher de Chris Martin – vocalista do coldplay)


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sábado, 6 de agosto de 2011

Crônica da semana


"Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar:
Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas.
Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP.
Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta.
Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha.
Nós sempre andamos de mãos dadas...
Se eu soltar, ela vai às compras!
Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico.
Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar".
Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.
Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a "senhora certa".
Só não sabia que o primeiro nome dela era "sempre".
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: "O que tem na TV?"
E eu disse: "Poeira"."
Luís Fernando Veríssimo


E não é que as crônicas voltaram?