Desenho feito em uma produtiva aula dupla de inglês.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Sobre como construir uma Torre Eiffel
Desenho feito em uma produtiva aula dupla de inglês.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Um dia você aprende
O texto é meio
grande, mas vale à pena.
Um dia você
aprende
“Depois de algum
tempo, você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e
acorrentar uma alma. E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que
companhia nem sempre significa segurança. E começa a aprender que beijos não
são contratos e presentes não são promessas. E começa a aceitar suas derrotas
com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a
tristeza de uma criança.
E aprende a
construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto
demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois
de um tempo você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo. E
aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente
não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai
feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la, por isso. Aprende que falar
pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se
levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que
você pode fazer coisas em um instante das quais se arrependerá pelo resto da
vida. Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas
distâncias. E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na
vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprende que
não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que
seu melhor amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons
momentos juntos.
Descobre que as
pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito
depressa, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras
amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprende que as circunstâncias e
os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós
mesmos. Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o
melhor que pode ser. Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa
que quer ser, e que o tempo é curto.
Aprende que não
importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está
indo, qualquer lugar serve. Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o
controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter
personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.
Aprende que
heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as
conseqüências. Aprende que paciência requer muita prática. Descobre que algumas
vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que
o ajudam a levantar-se.
Aprende que
maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você
aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou. Aprende que há
mais dos seus pais em você do que você supunha. Aprende que nunca se deve dizer
a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e
seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que
quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o
direito de ser cruel. Descobre que só porque alguém não o ama do jeito que você
quer que ame, não significa que esse alguém não o ama, com tudo o que pode,
pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar
ou viver isso.
Aprende que nem
sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que
aprender a perdoar-se a si mesmo. Aprende que com a mesma severidade com que
julga, você será em algum momento condenado. Aprende que não importa em quantos
pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.
Portanto...
plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga
flores. E você aprende que
realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais
longe depois de pensar que não se pode mais. E
que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida!”
William Shakespeare
.
(Como não achei nenhuma imagem que tivesse a ver com o texto,
fiquem com a foto dessa bela coruja!)
E
ainda me perguntam por que amo Shakespeare.
(Nota atrasada: Não é Shakespeare, é um texto de
Veronica Shoffstal, que o escreveu
baseando-se em passagens de W. Shakespeare. Desculpem o erro ai! - 19.02.12)
sábado, 10 de setembro de 2011
Crônica do mês
Nascer no Cairo, ser fêmea de cupim
“Conhece o vocábulo escardinchar? Qual o
feminino de cupim? Qual o antônimo de póstumo? Como se chama o natural do
Cairo?
O leitor que responder "não
sei" a todas estas perguntas não passará provavelmente em nenhuma prova de
Português de nenhum concurso oficial. Alias, se isso pode servir de algum consolo
à sua ignorância, receberá um abraço de felicitações deste modesto cronista,
seu semelhante e seu irmão.
Porque a verdade é que eu também não
sei. Você dirá, meu caro professor de Português, que eu não deveria confessar
isso; que é uma vergonha para mim, que vivo de escrever, não conhecer o meu
instrumento de trabalho, que é a língua.
Concordo. Confesso que escrevo de
palpite, como outras pessoas tocam piano de ouvido. De vez em quando um leitor
culto se irrita comigo e me manda um recorte de crônica anotado, apontando
erros de Português. Um deles chegou a me passar um telegrama, felicitando-me
porque não encontrara, na minha crônica daquele dia, um só erro de Português;
acrescentava que eu produzira uma "página de bom vernáculo,
exemplar". Tive vontade de responder: "Mera coincidência" — mas
não o fiz para não entristecer o homem.
Espero que uma velhice tranqüila - no
hospital ou na cadeia, com seus longos ócios — me permita um dia estudar com
toda calma a nossa língua, e me penitenciar dos abusos que tenho praticado
contra a sua pulcritude. (Sabem qual o superlativo de pulcro? Isto eu sei por
acaso: pulquérrimo! Mas não é desanimador saber uma coisa dessas? Que me
aconteceria se eu dissesse a uma bela dama: a senhora é pulquérrima? Eu poderia
me queixar se o seu marido me descesse a mão?).
Alguém já me escreveu também — que eu
sou um escoteiro ao contrário. "Cada dia você parece que tem de praticar a
sua má ação — contra a língua". Mas acho que isso é exagero.
Como também é exagero saber o que quer dizer
escardinchar. Já estou mais perto dos cinqüenta que dos quarenta; vivo de meu
trabalho quase sempre honrado, gozo de boa saúde e estou até gordo demais,
pensando em meter um regime no organismo — e nunca soube o que fosse
escardinchar. Espero que nunca, na minha vida, tenha escardinchado ninguém; se
o fiz, mereço desculpas, pois nunca tive essa intenção.
Vários problemas e algumas mulheres
já me tiraram o sono, mas não o feminino de cupim. Morrerei sem saber isso. E o
pior é que não quero saber; nego-me terminantemente a saber, e, se o senhor é
um desses cavalheiros que sabem qual é o feminino de cupim, tenha a bondade de
não me cumprimentar.
Por que exigir essas coisas dos
candidatos aos nossos cargos públicos? Por que fazer do estudo da língua
portuguesa unia série de alçapões e adivinhas, como essas histórias que uma
pessoa conta para "pegar" as outras? O habitante do Cairo pode ser
cairense, cairei, caireta, cairota ou cairiri — e a única utilidade de saber
qual a palavra certa será para decifrar um problema de palavras cruzadas. Vocês
não acham que nossos funcionários públicos já gastam uma parte excessiva do
expediente matando palavras cruzadas da "Última Hora" ou lendo o
horóscopo e as histórias em quadrinhos de "O Globo?".
No fundo o que esse tipo de gramático
deseja é tornar a língua portuguesa odiosa; não alguma coisa através da qual as
pessoas se entendam, ruas um instrumento de suplício e de opressão que ele,
gramático, aplica sobre nós, os ignaros.
Mas a mim é que não me escardincham assim, sem mais
nem menos: não sou fêmea de cupim nem antônimo do póstumo nenhum; e sou
cachoeirense, de Cachoeiro, honradamente — de Cachoeiro de Itapemirim!”
Rubem Braga
E minhas crônicas da semana viraram crônicas do mês.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Sobre avós
Isso pode parecer insensível e rude, mas é sincero. Nunca entendi porque as pessoas ficam tão mal quando os avós morrem. Minhas avós morreram quando eu era pequena. Eram a Zilda e a Elza.
Quando lembro da Zilda lembro dela na cozinha, sempre. Dizem que ela cozinhava muito bem – dom que foi passado aos filhos. Lembrar dela faz-me lembrar de um biscoito que tinha em sua casa. Lembro do pote, da trava e do lugar onde ele ficava. Posso quase lembrar seu sabor – nostalgia.
Quando lembro da Elza, lembro de seus cabelos vermelhos, curtos e crespos. Lembro dela comigo no parquinho da quadra em que morava. Até consigo lembrar dela comigo nos brinquedos, mas a lembrança mais forte é dela me ajudando a procurar sementes na calçada ao lado do parque. Uma semente específica, vermelha e oval, muito bonita, na verdade. Lembro também de sua limonada, tão comentada na família – forte, doce e ótima. Só não lembro que fim aquele tanto de semente levava.
Quando penso nelas, vem uma saudade gostosa e confortável – saudade que, quase sempre, teima em sair pelos olhos. Enquanto escrevo e lembro delas percebo, não sem surpresa, que, mesmo após tanto tempo, ainda as amo. Acho, então, que elas não eram Zilda e Elza, elas são Zilda e Elza.
Talvez agora, após escrever, entenda porque as pessoas sofrem tanto quando perdem os avós.
“Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você”
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Sobre W. Shakespeare
Sou apaixonada por certas coisas – aos poucos revelarei algumas –
e uma das coisas é Shakespeare. Em homenagem ponho, então, um pedaço que acho
lindo de Romeu e Julieta (“Romeo and Juliet”):
ROMEO
Lady, by yonder blessed moon I swear
That tips with silver all these fruit-tree tops—
Lady, by yonder blessed moon I swear
That tips with silver all these fruit-tree tops—
JULIET
O, swear not by the moon, the inconstant moon,
That monthly changes in her circled orb,
Lest that thy love prove likewise variable.
O, swear not by the moon, the inconstant moon,
That monthly changes in her circled orb,
Lest that thy love prove likewise variable.
ROMEO
What shall I swear by?
What shall I swear by?
JULIET
Do not swear at all;
Or, if thou wilt, swear by thy gracious self,
Which is the god of my idolatry,
And I'll believe thee.
Do not swear at all;
Or, if thou wilt, swear by thy gracious self,
Which is the god of my idolatry,
And I'll believe thee.
E não vejo a hora de arranjar tempo para começar a ler 1589 – um
ano a vida de Shakespeare.
Por último, dica para outros amantes de William S. : vejam Shakespeare
apaixonado.(Curiosidade: para quem não sabia, a Julieta do filme é a mulher de
Chris Martin – vocalista do coldplay)
sábado, 6 de agosto de 2011
Crônica da semana
"Minha mulher e eu temos o segredo para fazer um casamento durar:
Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas.
Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP.
Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta.
Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha.
Nós sempre andamos de mãos dadas...
Se eu soltar, ela vai às compras!
Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico.
Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar".
Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.
Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a "senhora certa".
Só não sabia que o primeiro nome dela era "sempre".
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: "O que tem na TV?"
E eu disse: "Poeira"."
Duas vezes por semana, vamos a um ótimo restaurante, com uma comida gostosa, uma boa bebida e um bom companheirismo. Ela vai às terças-feiras e eu, às quintas.
Nós também dormimos em camas separadas: a dela é em Fortaleza e a minha, em SP.
Eu levo minha mulher a todos os lugares, mas ela sempre acha o caminho de volta.
Perguntei a ela onde ela gostaria de ir no nosso aniversário de casamento, "em algum lugar que eu não tenha ido há muito tempo!" ela disse. Então, sugeri a cozinha.
Nós sempre andamos de mãos dadas...
Se eu soltar, ela vai às compras!
Ela tem um liquidificador, uma torradeira e uma máquina de fazer pão, tudo elétrico.
Então, ela disse: "nós temos muitos aparelhos, mas não temos lugar pra sentar".
Daí, comprei pra ela uma cadeira elétrica.
Lembrem-se: o casamento é a causa número 1 para o divórcio. Estatisticamente, 100 % dos divórcios começam com o casamento. Eu me casei com a "senhora certa".
Só não sabia que o primeiro nome dela era "sempre".
Já faz 18 meses que não falo com minha esposa. É que não gosto de interrompê-la.
Mas, tenho que admitir: a nossa última briga foi culpa minha.
Ela perguntou: "O que tem na TV?"
E eu disse: "Poeira"."
Luís Fernando Veríssimo
E não é que as crônicas voltaram?
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