Isso pode parecer insensível e rude, mas é sincero. Nunca entendi porque as pessoas ficam tão mal quando os avós morrem. Minhas avós morreram quando eu era pequena. Eram a Zilda e a Elza.
Quando lembro da Zilda lembro dela na cozinha, sempre. Dizem que ela cozinhava muito bem – dom que foi passado aos filhos. Lembrar dela faz-me lembrar de um biscoito que tinha em sua casa. Lembro do pote, da trava e do lugar onde ele ficava. Posso quase lembrar seu sabor – nostalgia.
Quando lembro da Elza, lembro de seus cabelos vermelhos, curtos e crespos. Lembro dela comigo no parquinho da quadra em que morava. Até consigo lembrar dela comigo nos brinquedos, mas a lembrança mais forte é dela me ajudando a procurar sementes na calçada ao lado do parque. Uma semente específica, vermelha e oval, muito bonita, na verdade. Lembro também de sua limonada, tão comentada na família – forte, doce e ótima. Só não lembro que fim aquele tanto de semente levava.
Quando penso nelas, vem uma saudade gostosa e confortável – saudade que, quase sempre, teima em sair pelos olhos. Enquanto escrevo e lembro delas percebo, não sem surpresa, que, mesmo após tanto tempo, ainda as amo. Acho, então, que elas não eram Zilda e Elza, elas são Zilda e Elza.
Talvez agora, após escrever, entenda porque as pessoas sofrem tanto quando perdem os avós.
“Só enquanto eu respirar, vou me lembrar de você”

Lindo texto Laurinha.
ResponderExcluirbjs
tia Lá
Laura!! Amei seu texto!! vc escreme muito bem... gostoso pacas de se ler!! Continue escrevendo!!!! bjks
ResponderExcluirNão lembro da minha vó que morreu. Só lembro que minha mãe dizia que ela gostava muito de mim! Mas eu era muito pequena pra ter uma lembrança minha. Da Nélia, só de pensar em perdê-la já dá aperto no coração e nó no estômago. Ainda bem que ela vai viver até os 147 anos! Da sua Elza eu lembro demais! Com muito carinho, e muita saudade! Êta texto complexo esse seu!
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