Insônia. Insônia. Vira para o outro
lado. Insônia, insônia, insônia.
Estava
com a cabeça cheia, vinham pensamentos interessantes. E não eram pensamentos
simples, daqueles que atravessam e são rapidamente esquecidos, dando lugar a
outros tão simples e sem objetivo quanto o anterior. Eram pensamentos
complexos, estruturados, pensamentos-textos. Não havia como dormir. Não mesmo.
Na
verdade, ela até havia dormido, tinha conseguido dormir algumas horas. E aí
acordou. Acordou naquela inquietação típica de quando se acorda por nada e sem
sono no meio da noite. Foi ao banheiro. Voltou. Resolveu escrever os
pensamentos-textos. Pegou um caderno que ela já sabia mesmo no escuro onde
estava. Agora precisava de um lápis.
Então foi
procurar um. Não conseguia achar e a irmã reclamou do barulho. Resolveu tentar
dormir novamente, sem sucesso. Subiu ao andar de cima – era uma casa estreita
de três andares – para procurar o tal lápis. Não achou. Voltou – barulho.
Novamente, a irmã reclama. Ela então deita e resolve ficar quieta.
Até que ela
ouve um barulho, aparentemente passos. Desejou que fosse ela, aquela pessoa que
nunca a negava conversas longas, agradáveis e por vezes filosóficas,
independente da hora. Mas era bem possível que fosse outra pessoa – a casa
estava cheia.
Ouviu o
barulho novamente. Eram definitivamente passos. Resolveu subir e ver quem era,
se fosse outra pessoa que não ela, diria apenas que estava com insônia e havia
resolvido ir beber água. Ao subir, viu uma silhueta – provavelmente de um
homem. Apertou os olhos para tentar distinguir, através da meia escuridão e
da miopia, quem era. Era ela. Foi
tomada por uma alegria. A pessoa se vira e sorri. Eram
4h da manhã, como havia visto no microondas.
A pessoa
pergunta por que ela estava ali quando deveria estar dormindo.
“ – Insônia. E você?”
“ – Meu calcanhar dói” seu pai responde.
Resolvem
ir dormir no mesmo quarto. Descem e mandam a irmã, para o alívio desta, ir
dormir no quarto disponível no andar de cima, em que o pai antes estava.
Deitam-se.
Após um tempo conversando, decidem que vão tentar dormir.
Alguns minutos depois:
Alguns minutos depois:
“ – Conseguiu dormir?” Ela
pergunta.
” – Sim” o pai responde.
“ – Sério?”
“ – Eu não estou conversando com
você?” ele diz sarcasticamente em resposta.
“ – Ahn...”
A
insônia é melhor compartilhada.

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